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Zema critica mudança de índices oficiais como desmatamento

Zema critica mudança de índices oficiais como desmatamento

Zema critica mudança de índices oficiais como desmatamento

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou em entrevista ao Congresso em Foco que é contrário que as medições de índices oficiais sejam alterados pelo governo federal.

“Por natureza, sou contrário a toda interrupção de medição. Estudei bastante contabilidade e lá fala se você adotou um critério de medição, continue adotando”, disse o chefe do Executivo mineiro.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, do mesmo partido que Zema, disseram no dia 1 de agosto em entrevista coletiva que os métodos de mensuração do desmatamento vão ser reformulados.

“Temos de ver se o processo de medição estava adequado ou não, como não me inteirei muito bem, não sei avaliar, mas vejo que todo governo que tentou manipular índices de inflação, qualquer coisa, só se deu mal”, afirmou o governador do Novo.

E completou: “temos que resolver a causa na origem e não ficar trocando o termômetro para poder falar que a pessoa está melhor agora do que antes”

Desde o dia 21 de julho, Bolsonaro tem feito críticas ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e afirmado que exagera no tamanho do desmatamento. Por conta disso, Ricardo Galvão foi demitido do comando do órgão na última sexta-feira (1).

Zema foi o primeiro político do partido Novo a se eleger governador. Embora tenha saído vitorioso das eleições, o seu partido é minoritário na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Para compor maioria no Legislativo mineiro, não descarta alianças com PT, PSDB e MDB.

Na campanha de 2018, os três partidos foram bastante criticados por Zema, que os acusou de serem responsáveis pela crise econômica de Minas Gerais.

Sobre a reforma da Previdência, o governador mineiro se mostrou otimista com a possibilidade dos estados serem incluídos durante a votação no Senado, mas disse que se não forem, já tem preparado um projeto de lei que altera as aposentadorias para enviar a assembleia mineira.

Romeu Zema tem 54 anos e foi eleito governador de Minas Gerais após derrotar Antonio Anastasia (PSDB) no 2º turno do pleito de 2018.

Zema venceu à revelia dos resultados das pesquisas de intenção de voto. Pelos números, quem enfrentaria Anastasia no 2º turno seria Fernando Pimentel (PT).

Sua família é dona do Grupo Zema, que tem empresas de combustível, peças e acessórios para automóveis. Em 2018 foi a primeira vez que o empresário disputou um cargo eletivo.

Leia a íntegra da entrevista:

Congresso em Foco: Acredita que o Senado pode incluir os Estados na Reforma da Previdência? Se não incluir, já pensa em articular uma reforma própria em Minas Gerais?
Romeu Zema: Estou muito otimista porque eu tenho dito de forma exaustiva que a reforma da Previdência é como se nós tivéssemos um abrindo o abdômen de alguém em uma operação, encontrássemos dois tumores e tirássemos apenas um. O problema não está resolvido e o governo federal sabe muito bem disso. Eu vejo que o Senado vai devolver para a Câmara incluindo estados e municípios. A Câmara como teve uma votação considerável, acima do esperado, vai ter essa maturidade, essa coragem suficiente para poder incluir estados e municípios. Mas caso não seja incluído, nós estaremos encaminhando aqui para a Assembleia, já temos o projeto de lei pronto, a reforma que será necessária aqui. Seis outros estados terão de fazer o mesmo e mais 2000 prefeituras. Isso vai tomar uma proporção gigante, daí o meu otimismo.

Vários projetos de reforma tributária tramitando em paralelo deve prejudicar a aprovação?

Vejo que vai haver uma congruência, todos vão caminhar no mesmo sentido, vão pegar o que há de melhor em cada uma. Nós sabemos que hoje a questão tributária do Brasil vem a cada que passa se tornando mais complexa. Qualquer avanço que nós tivermos vai positivo. Virou uma situação insustentável, cada estado ditando regra que são distintas dependendo do tribunal e do fiscal. É algo que seria para ontem. Da mesma forma que a Previdência teve uma agilidade, estamos vendo que o Rodrigo Maia tem tido um protagonismo muito grande e ele com certeza vai conduzir isso da mesma forma que fez com a reforma da Previdência.

O Novo tem sido mais fiel as pautas de reforma do governo federal do que o próprio PSL.
O nosso partido é o mais previsível que tem, nenhum outro é tão previsível quanto o nosso. Nós temos algumas pautas, a pauta liberal, que é simplificar a vida do cidadão e é o estado não entrar naquilo que perturba o cidadão.

O Novo deve fazer coligação com outras siglas nas próximas eleições?

O Novo não fez coligação, mas é um partido muito pequeno ainda. Agora que conseguimos eleger pela primeira vez representantes no Legislativo Federal. Tenho certeza que vai ser questão de tempo para termos algum tipo de coligação desde que a gente mantenha esses princípios dos quais não abrimos mão.

O senhor rompeu a continuidade de vários governos do PSDB e um do PT e se elegeu sem base parlamentar. Tem encontrado dificuldades em compor com a Assembleia mineira? Busca diálogo com PSDB, PT e MDB, que são as maiores bancadas?

Sim, tem sido um diálogo muito bom. Na medida que o governo avança, temos ganhado credibilidade. Meu governo no início era tipo um bicho desconhecido e agora eles estão vendo que nossas intenções são boas, nosso secretariado tem muita competência. Nós estamos fazendo um trabalho sério, não nos importamos com partido, queremos resultado, criar emprego, melhorar a educação. Quem está a frente desse processo se for partido A, B, C, D, E ou F não nos importa. Isso está ficando claro com o tempo vamos ter mais aderência junto ao Legislativo.

O ministro do Meio Ambiente e seu colega de partido, Ricardo Salles, defende que a medição do desmatamento tem que ser revista. Concorda?

Por natureza, sou contrário a toda interrupção de medição. Estudei bastante contabilidade e lá fala se você adotou um critério de medição, continue adotando. Não tenho detalhes do que aconteceu, mas se alguém está usando quilo, deveria continuar usando e não arroba ou libra para poder estar pesando depois. Qualquer mudança nesse sentido dificulta a base de comparação. Temos de ver se o processo de medição estava adequado ou não, como não me inteirei muito bem, não sei avaliar, mas vejo que todo governo que tentou manipular índices de inflação, qualquer coisa, só se deu mal. Temos que resolver a causa na origem e não ficar trocando o termômetro para poder falar que a pessoa está melhor agora do que antes.(Congresso em Foco)

Foto: Renato Cobucci/ Imprensa-MG

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