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Tensão: Rompimento da barragem de Brumadinho causa insegurança em Itabira

Tensão: Rompimento da barragem de Brumadinho causa insegurança em Itabira

Moradores cobram garantias de segurança da Vale. Barragem de Itabiruçu, que passa por processo de alteamento, tem capacidade 18 vezes maior de rejeitos que a de Brumadinho. Prefeitura pedirá um diagnóstico sobre situação atual

O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) causou insegurança para moradores de Itabira, onde a empresa tem grandes empreendimentos. Outra barragem, a de Itabiruçu, que tem capacidade para receber volume 18 vezes maior de rejeitos do que a barragem Córrego do Feijão, destruída na sexta-feira, passa por um processo de alteamento para receber rejeitos da Mina de Conceição, segundo a Prefeitura da cidade. Itabira é a cidade natal do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que tratou dos problemas da mineração em sua obra (veja abaixo)

Com o tamanho mais robusto, os moradores e os políticos cobram por garantias da companhia sobre a segurança da barragem. A preocupação tomou conta das conversas nas praças do município e se espalhou pelas redes sociais, além de grupos de mensagens. Em novembro, durante audiência pública, a Vale apresentou o plano de aumentar para 850 metros a altura da barragem, que tem 835 metros. Segundo a mineradora, Itabiruçu tem capacidade para receber mais de 220 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Em Brumadinho, a barragem que se rompeu tinha capacidade para 12 milhões de metros cúbicos.

“Diante de uma tragédia inesperada como essa, ficamos preocupados com nossa situação em Itabira. A Vale tem as barragens de Ponto, de Conceição e a maior de todas, que é de Itabiruçu. Passo na estrada em frente quase todo dia e o tamanho é impressionante. A construção está muito próxima de bairros e um rompimento aqui causaria um estrago inimaginável”, diz Heitor Tomás Ferreira, de 71 anos, que mora em Itabira há 52 anos.

Ex-funcionário da Vale do Rio Doce, quando ainda era estatal, ele critica a expansão dos projetos de mineração em busca de maior lucro e conta que nunca ouviu nada sobre plano de evacuação da cidade em caso de rompimento da barragem. “Não conheço nada sobre plano de emergência ou sirene avisando para deixarmos a cidade. Se existe algo do tipo, acho que pouca gente aqui tem conhecimento”, completa.

Por meio das redes sociais, o prefeito de Itabira, Ronaldo Magalhães (PTB), afirma que acompanha com preocupação a tragédia em Brumadinho e que, na próxima semana, vai pedir um diagnóstico sobre a situação das barragens da cidade. “Essa situação se tornou motivo de muita apreensão. O nosso município abriga duas das maiores barragens de rejeitos do Brasil. Cobrarei da direção da Vale novo diagnóstico sobre a situação das barragens”, diz o prefeito.

Vários moradores cobram do prefeito o cancelamento do projeto de ampliação da Barragem Itabiruçu. “Não adianta diagnóstico novo. Todos vão apontar as barragens como seguras. O que tem que ser feito é a interdição da obra de alteamento. Moro a menos de 500 metros da barragem. Essa será uma tragédia anunciada”, reclama Angela Maria, moradora da comunidade Rio do Peixe, em Itabira.

O secretário de governo, Ilton Magalhães, informa que, ao final do ano passado, quando aconteceram reuniões para discutir a ampliação da Barragem de Itabiruçu, a Vale deu garantias de que o local não corre risco de rompimento. “Eles nos garantiram que a barragem está segura. Mas isso foi na mesma época em que falaram que as barragens de Brumadinho também eram seguras. Depois desses episódios, ficamos na dúvida se essa garantia é real. Temos que cobrar uma reavaliação”, afirma.

Segundo ele, no ano passado, a empresa apresentou um plano de contingenciamento em caso de acidentes no empreendimento de Itabira, mas não sabe se os procedimentos foram implementados. “Não sei se o plano foi finalizado, mas foi discutido. Não sei se as sirenes foram instaladas. Mas, nesta semana, vamos intensificar as cobranças sobre questões de segurança”, diz o secretário.

Procurada pela reportagem, desde a manhã de ontem, a Vale comunicou que não poderia informar os detalhes sobre os empreendimentos em Itabira ou se foram instalados na cidade sistemas de alerta e evacuação.(CB)