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Sem citar nomes, Janaina Paschoal dá o caminho para investigar Flávio Bolsonaro

Sem citar nomes, Janaina Paschoal dá o caminho para investigar Flávio Bolsonaro

A advogada adverte, entre outras coisas, que “se os investigadores quiserem mesmo chegar a algum lugar, precisam dar alguma garantia aos assessores, para que eles falem…”

A advogada e deputada estadual eleita por São Paulo, Janaina Paschoal (PSL), discorreu longamente em sua conta no Twitter, na manhã desta quarta-feira (12), sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentação financeira incompatível com os ganhos de funcionários das Assembleias Legislativas.

Sem citar nomes nem fatos, a advogada, que é do mesmo partido de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – cujo ex-motorista e assessor durante o seu mandato na Assembleia do Rio de Janeiro, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, aparece entre os denunciados com movimentações financeiras “suspeitas” – escreveu principalmente sobre a devolução de salário por parte de assessores.

Janaina advertiu que “as considerações que farei aqui não têm o intuito de avaliar o mérito de nenhuma situação em especial, mas discutir (em teoria) prática a ser coibida”. Além disso, a futura deputada lembra que “dentre as práticas investigadas pela Corregedoria está a devolução de salário por parte de assessores. Explico: cada deputado pode contratar até 32 assessores (estou falando da Assembleia de São Paulo). Os salários são muito bons, quando se compara com o mercado”, disse.

Sem citar que a maioria dos depósitos em espécie na conta de Queiroz, coincidem com as datas de pagamento na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ela lembra que, apesar dos salários serem muito bons, o que permite a contratação de bons quadros, “algumas vezes, o parlamentar prefere contratar alguém com capacitação incompatível com o salário”.

A razão disso, segundo ela, é “porque esse alguém vai ficar muito satisfeito com uma parte do salário pago e, para mantê-lo, vai devolver uma boa parte ao parlamentar. Haja vista que essa verba (para contratação) fica à disposição do Deputado, algumas pessoas acham natural a devolução (?!)”, exclama.

Mais adiante, ela adverte que tem “tentado explicar às pessoas que esse tipo de prática é bem mais deletéria do que parece, pois, com o tempo, o parlamentar para de procurar pessoas competentes e passa a buscar pessoas rasas e inseguras, que se submetem”.

Sempre cuidadosa para não citar nenhum caso especificamente, ela lembra que “não raras vezes, o parlamentar contrata pessoas que sequer comparecem para trabalhar, pois o fim é apenas obter o salário de volta! Quero deixar muito claro que não estou falando nem de A, nem de B. Quero deixar bem claro que estou falando do Brasil que queremos ter!”, conclama.

Janaina Paschoal ainda insinua que “uma movimentação estranha, como toda a Imprensa vem dizendo (responsavelmente), não implica ilicitude. Mas se os investigadores quiserem mesmo chegar a algum lugar, precisam dar alguma garantia aos assessores, para que eles falem…”, afirma.

Ao final, ela ameaça que, a partir da sua posse, “se alguém (em qualquer situação) pedir dinheiro em meu nome (ou qualquer outro tipo de vantagem), por mais próximo que seja esse alguém, pode chamar a Polícia, pois é bandido”, encerra.(Revista Fórum)