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‘Se Bolsonaro acha que vai tirar o lado liberal e continuar com o mesmo apoio, está enganado’, diz presidente do Instituto Mises

‘Se Bolsonaro acha que vai tirar o lado liberal e continuar com o mesmo apoio, está enganado’, diz presidente do Instituto Mises

‘Se Bolsonaro acha que vai tirar o lado liberal e continuar com o mesmo apoio, está enganado’, diz presidente do Instituto Mises

Diante do que o próprio ministro da economia, Paulo Guedes, classificou como um “debandada” de seus auxiliares que pediram demissão no ministério, o presidente do Instituto Mises, Hélio Beltrão, diz que, se o governo romper com o liberalismo vai perder o apoio do empresariado, que foi um dos pilares de sua eleição. “Se ele acha que vai tirar o lado liberal e continuar com o mesmo apoio que tinha antes, ele está enganado”.

Beltrão é um dos principais defensores do que classifica como “ultraliberalismo econômico” no Brasil. É presidente do Instituto Mises Brasil, nomeado em homenagem ao economista liberal austríaco Ludwig von Mises.

Ele tem uma relação próxima com Guedes (fundou com ele o Instituto Millenium) e com alguns dos seus auxiliares que saíram, como Salim Mattar, agora ex-secretário especial de desestatização, e Paulo Uebel, ex-responsável pela secretaria especial de desburocratização.

A saída nesta semana de Mattar e Uebel agravou a crise de perda de funcionários insatisfeitos no ministério que já vinha acontecendo desde o início do ano. Mattar e Uebel reclamaram que as mudanças liberais previstas — reforma administrativa e agenda de privatizações — não estavam saindo.

A saída de funcionários insatisfeitos marca uma virada na postura econômica do governo, segundo analistas, de uma agenda liberal defendida por Guedes para uma postura com maior atuação estatal.

Beltrão diz à BBC News Brasil que nesse momento “não dá para caracterizar o governo como liberal” e que Bolsonaro nunca foi “propriamente um liberal”, apenas percebeu que existia essa demanda e a encampou, “colocando Guedes para tocar”.

Um dos fiadores de Bolsonaro entre a classe empresarial, Guedes tem feito concessões a pautas de maior atuação do Estado: como a reforma tributária que acaba com isenções (aumento de impostos) para livros, empresas de saúde e educação, entre outros, e a proposta de uma nova tarifa sobre transações financeiras — que ganhou o apelido de ‘nova CPMF’, por se assemelhar ao antigo imposto.

“Guedes não deixou de ser liberal, mas está tendo que lidar com forças políticas muito fortes”, diz Beltrão. “O ministério continua, deu uma escorregada, e se o governo não quiser fazer as reformas, ele poderia reavaliar sair, se realmente não tem esse grau de liberdade”, afirma.

Beltão diz que espera que Guedes consiga “renegociar” as privatizações, a reforma administrativa e a abertura comercial, mas afirma que um rompimento definitivo com o liberalismo tornaria muito difícil para o governo “recuperar o apoio” que conseguiu por defender uma agenda liberal durante a campanha.

“Eu suspeito que não, o presidente não consegue se eleger sem o apoio dos empresários”, diz ele, que afirma também que “essa coisa de aumentar o tamanho do governo está ficando parecido com o governo de esquerda (que veio antes)”.

Leia trechos da entrevista de Beltrão a BBC News Brasil

Foto: ARQUIVO PESSOAL

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