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Risco de recessão técnica aumenta com piora de projeções mesmo com aprovação da Previdência

Risco de recessão técnica aumenta com piora de projeções mesmo com aprovação da Previdência

Risco de recessão técnica aumenta com piora de projeções mesmo com aprovação da Previdência

A débil performance da economia brasileira no primeiro trimestre aumentou o risco de recessão técnica, com alguns analistas já prevendo crescimento perto de zero entre abril e junho, enquanto se multiplicam estimativas de uma expansão econômica abaixo de 1% em 2019, a despeito do cenário-base de reforma da Previdência aprovada neste ano.

A leitura é que, ainda que a economia melhore nos próximos trimestres, o ganho de ritmo pode não ser suficiente para impedir a concretização de outro ano de pífio crescimento, cujo desempenho pode ser ainda pior que o dos últimos dois anos.

Já nesta quinta-feira, o Citi reduziu novamente sua expectativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O banco agora prevê taxa de 0,9%, ante 1,4% do cenário anterior.

Também nesta quinta, a economista da TRUXT Investimentos Claudia Couri rebaixou para 0,7% sua expectativa de crescimento do PIB para este ano, de 0,9% antes. Para o segundo trimestre, ela espera avanço de 0,2%, abaixo dos 0,4% estimados inicialmente.

O Itaú Unibanco, que ainda espera crescimento de 1% do PIB em 2019, admite que sua projeção tem viés de baixa. O banco inclusive prevê expansão de apenas 0,1% da economia no segundo trimestre frente ao primeiro, conforme estimativa preliminar.

Duas semanas atrás, o BNP Paribas já havia cortado a alta esperada para o PIB neste ano de 2% para 0,8%.

E há quem veja um desempenho ainda pior. Na Focus, a projeção mínima para a expansão da economia está atualmente em 0,52%. Duas semanas atrás, era de 0,73%. No início de maio, de 1,00%.

O PIB cresceu 1,1% em 2017 e em 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tomás Goulart, sócio e economista-chefe na Novus Capital, estima aumento do PIB de 0,8% em 2019 e de apenas 0,2% no segundo trimestre ante o primeiro.

“Embora não seja nosso cenário básico, o risco de recessão técnica aumentou substancialmente desde o começo do ano”, afirmou Goulart. “O fato é que os índices de confiança devolveram a melhora do fim do ano passado, e isso é um sinal muito ruim para os próximos trimestres.”

Segundo a definição clássica, a recessão técnica ocorre quando o PIB contrai por dois trimestres consecutivos em relação aos três meses imediatamente anteriores. A economia brasileira recuou 0,2% no primeiro trimestre de 2019 sobre o quarto trimestre de 2018, de acordo com o IBGE, na primeira retração desde 2016.

A dissociação entre o desempenho esperado para a economia e a expectativa de aprovação da reforma da Previdência fortalece a tese de que a atividade pode seguir em risco mesmo com a passagem da matéria.

“Talvez o mais importante para a economia seja a agenda que virá após a Previdência, como uma reforma tributária”, disse o economista da Novus Capital.

Ainda no campo estrutural, o UBS chama atenção para a queda do PIB potencial —crescimento máximo possível sem gerar pressões inflacionárias—, devido ao recuo na produtividade de longo prazo, o que também estaria limitando o crescimento do PIB e enfraquecendo o efeito positivo da expectativa de aprovação da agenda de reformas.

“Levando isso em conta, esperamos agora crescimento de 1% para a economia em 2019”, disseram os economistas Fabio Ramos e Tony Volpon em nota a clientes.

Anna Reis, economista-chefe da GAP Asset Management, prevê aumento de 0,2% do PIB no segundo trimestre, mas ressalva que ainda há poucos dados disponíveis para este trimestre, o que mantém sob risco a expectativa de crescimento “modesto” entre abril e junho.

Para o ano, a estimativa é de aumento de 0,8%. “Há um efeito aprendizado do mercado. Havia grande expectativa no fim do ano passado, e conforme ela não foi se materializando as expectativas pioraram”, explicou.

Segundo a economista, mesmo aprovada a reforma da Previdência, o mais provável é que uma melhora consistente de confiança só ocorra no ano que vem. “Há uma defasagem. E olhando os grandes componentes do PIB para este ano, de fato nenhum deve gerar grandes surpresas positivas”, afirmou.(Reuters)

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