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População de favelas alagadas poderia ter sido realocada para moradias populares

População de favelas alagadas poderia ter sido realocada para moradias populares

População de favelas alagadas poderia ter sido realocada para moradias populares

Mesmo previsto em lei, reassentamento de 776 famílias das favelas da Linha e do Nove, segue travado na Câmara

Na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, as comunidades da Linha 9–Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), sofrem para resistir à destruição. Elas ficam em uma das regiões mais afetadas pelo temporal que atingiu a capital paulista na última segunda-feira (10), próximo ao ponto de encontro dos rios Tietê e Pinheiros.

Foi o maior volume de chuva registrado no bairro desde 1967. Pelo menos 270 famílias que vivem nas vielas estreitas e precárias perderam tudo, segundo a Associação de Moradores.

“Quem mora na parte de cima não perdeu nada, mas quem mora na parte de baixo perdeu tudo. Não tem nada que contar de história. A única história é a destruição”, relata Manoel Messias, desempregado, que tentou em vão salvar a furadeira e outros aparelhos elétricos que usava na construção civil.

Sem renda após o corte no Bolsa Família, a idosa Ciça Conceição mostra o barraco encharcado, sem ventilação e com fotos e roupas encardidas pelo piso.

“Deus me deu e a chuva levou. Então eu creio que deus vai me devolver minhas coisas, devolver minha vida, minha saúde, as coisinhas que eu preciso”, desabafa a senhora, que passou pelas três grandes enchentes que atingiram à comunidade da Linha, com 56 anos de história.

O presidente da Associação dos Moradores, Carlos Alexandre Beraldo, lamenta a condição das moradas e da saúde das famílias.

“É muito vulnerável, não tem ar, não tem ventilação. Muitas famílias com tuberculose. Ontem mesmo faleceu uma moça com tuberculose, moradora de 40 anos de comunidade”, revela “Xandão”, como é conhecido.

Os entulhos e pertences perdidos das famílias foram recolhidos pela Prefeitura Municipal apenas na quarta-feira (12). Fora isso, a atuação do poder municipal se restringiu à visita da Vigilância Sanitária no local – também dois dias após as chuvas – fazendo o cadastro das famílias para o recebimento de doações de cestas básicas.

Até então, o auxílio emergencial às 1.395 famílias das comunidades tinha sido centralizado por igrejas locais – como a Igreja Batista Palavra Viva – e pelo Instituto Acaia, um centro de ensino onde 70% dos alunos – ou 250 crianças – vive nas duas favelas e frequenta a educação infantil e fundamental sem cobrança de mensalidades.

Luciana Gomes é uma das educadoras do espaço. Com as aulas suspensas, ela organiza e distribui as doações no barracão do Acaias na Favela da Linha, também inundado pela enchente. Ela relata uma série de dificuldades no atendimento às famílias, entre elas a negligência da Prefeitura.

“A primeira dificuldade foi o acesso. A água batia no peito. Mas outro ponto notado foi a total ausência do estado. Não veio ninguém da Assistência Social acompanhar a situação, por exemplo”, afirma.

Desde o dia das chuvas, as famílias estão recebendo doações na sede da Associação dos Moradores do Seasa, na Avenida Manuel bandeira, 145. Como prioridades, estão cestas básicas, colchões, cobertores e roupas para adultos e crianças.

Além das cinco mortes, o temporal na cidade de São Paulo deixou 500 desalojados e 142 desabrigados. O volume de água registrado na segunda foi o maior dos últimos 37 anos para o mês de fevereiro, conforme informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).(Brasil de Fato)

Foto/Pedro Stropasolas

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