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PF prende vice-governador de Minas em desdobramento da operação ‘Lava Jato’

PF prende vice-governador de Minas em desdobramento da operação ‘Lava Jato’

Agentes da Polícia Federal prenderam o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), os executivos da JBS Joesley Batista e Demilton de Castro, e o deputado João Magalhães (MDB-MG), na manhã desta sexta-feira (9), em um desdobramento da Operação “Lava Jato”, que nesta fase investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo a Receita Federal, as propinas pagas a agentes públicos e políticos são estimadas em mais de R$ 22 milhões.

Antonio Andrade (MDB) foi preso em Vazante, no Centro-Oeste do Estado. Os agentes também estiveram no escritório central dos Supermercados BH, em Contagem, e no gabinete do deputado estadual João Magalhães (MDB) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Em Belo Horizonte, agentes prenderam também Mateus Moura, ex-advogado do MDB mineiro e aliado de Antonio Andrade, e o advogado Ildeu da Cunha Pereira, que foi detido em 2008 junto com Marcos Valério no Campo de Marte, em São Paulo, com malas de dinheiro. Na época, a PF investigava um esquema de fraudes fiscais. Na lista de detidos também está o ex-diretor de Assuntos Institucionais da J&F Ricardo Saud. Os presos em Minas foram levados para a sede da Superintendência Regional da PF, no bairro Gutierrez.

No total são 56 mandados de busca e apreensão e 18 de prisão temporária, expedidos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cumpridos em 14 cidades dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso, além do Distrito Federal.

O suposto esquema

Batizada de Capitu, a operação é baseada na delação do doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB. Conforme as investigações, havia um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura para beneficiar políticos do MDB, que recebiam dinheiro da JBS, que pertencem aos irmãos Joesley e Wesley Batista, em troca de medidas para beneficiar as empresas do grupo. Joesley havia sido preso em setembro do ano passado, por suspeita de que estivesse contando com ajuda do procurador da República Marcello Miller no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República.

Segundo a Polícia Federal, a JBS dependia de normatizações e licenciamentos do MAPA e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do Ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado.

De acordo com a Receita Federal, suspeita-se que a rede BH Supermercados utilizou-se do grande fluxo de dinheiro em suas empresas para dar ar de licitude a valores doados a partidos e políticos, no período de agosto de 2014 a fevereiro de 2015. O dinheiro seria repassado pelas redes varejistas aos partidos e políticos por meio da simulação de recebimento de duplicatas pela JBS e pela transferência financeira a seis escritórios de advocacia por serviços, supostamente não realizados, acobertados por contratos simulados e notas fiscais.

As irregularidades podem configurar diversos crimes, como constituição e participação em organização criminosa, obstrução de Justiça, falsificação de documentos, crime contra a ordem tributária, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Resposta

De acordo com André Callegari, advogado do Joesley Batista, afirma que o empresário é colaborador da Justiça e tem cumprido à risca essa função. “Portanto, causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração. A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários”, diz.

A assessoria de imprensa da rede BH Supermercados afirmou que a empresa não irá se manifestar sobre a operação neste momento.

A reportagem ainda não obteve retorno da assessoria de imprensa do vice-governador, Antonio Andrade, e ninguém atendeu aos telefonemas no gabinete do deputado João Magalhães.

Ninguém foi encontrado para falar no escritório de Ildeu da Cunha Pereira e a reportagem não conseguiu falar com um representante de Mateus Moura. A reportagem também não conseguiu contato com as assessorias de Ricardo Saud e Demilton de Castro. (Hoje em Dia)