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Minas: Estudo revela crescimento do uso exagerado de medicamentos

Minas: Estudo revela crescimento do uso exagerado de medicamentos

O consumo de medicamentos tem crescido em Minas Gerais e alcançado pessoas mais jovens. É o que mostra pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina com usuários da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o estudo, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública, 82% das pessoas entrevistadas utilizaram ao menos um medicamento nos 30 dias anteriores ao levantamento. Desses, 14% consumiram cinco ou mais medicamentos, o que configura a polifarmácia.

Se essa prática ainda é mais comum entre pessoas idosas, devido à maior fragilidade fisiológica e clínica, já não é mais exclusiva dessa faixa etária. O estudo identificou que 16,6% dos adultos com idade acima dos 45 anos consomem cinco ou mais medicamentos. Apesar de as doenças crônicas – principais responsáveis pela polifarmácia – serem mais prevalentes entre os idosos, “observamos que elas estão, cada vez mais, ocorrendo mais cedo devido aos hábitos de vida da população”, comenta a autora da pesquisa, Thaís de Abreu Moreira.

Ela explica que a dissertação identificou seis doenças crônicas não transmissíveis associadas à polifarmácia. Acidente vascular cerebral (AVC) foi a que apresentou ligação mais forte, seguida de diabetes. “A maioria dos medicamentos utilizados estava relacionada aos sistemas cardiovascular (33,6%) e nervoso (18%)”, destaca.

Quem são?

Para chegar a esses resultados, a pesquisadora traçou o perfil de utilização de medicamentos pelos usuários da Atenção Primária em Saúde no estado, considerada a porta de entrada do SUS. Foram feitas entrevistas presenciais com 1.159 pessoas em 253 unidades de 104 municípios, o que gerou amostra representativa dos usuários adultos desses serviços.

Identificar o perfil dos usuários, segundo Thaís Moreira, contribui para detectar usos inapropriados, como baixa adesão ao regime terapêutico, automedicação irresponsável, prescrição de medicamentos em desacordo com diretrizes, entre outros.

“O país e o estado ainda não finalizaram a transição demográfica e epidemiológica. Por isso, consideramos que esses dados tendem a aumentar, e isso implica reflexos negativos para a saúde pública”, pondera. Como exemplos desses efeitos, a pesquisadora cita o aumento de custos em saúde e resistência bacteriana.

Uso inadequado

Os entrevistados também foram indagados sobre a adesão aos medicamentos prescritos e a necessidade de ajuda para o uso, se eles eram genéricos e se o usuário utilizava o programa Farmácia Popular. Com essa análise, foi possível identificar os grupos mais vulneráveis em relação ao uso de medicamentos.

A dissertação mostra que os adultos jovens (18-44 anos) e os idosos (65 anos ou mais) com menor escolaridade, menor poder aquisitivo e pior condição social são mais suscetíveis ao uso inadequado. “Essas condições refletiram na compreensão, adesão e seguimento do regime terapêutico prescrito”, relata Thaís. No grupo dos adultos jovens, mais da metade afirmou fazer automedicação.

Outra descoberta foi o elevado consumo de psicofármacos, principalmente antidepressivos, tendência crescente na Atenção Primária. “Observamos, inclusive, alguns potencialmente inapropriados para idosos, como diazepam, clonazepam, amitriptilina e fluoxetina”, afirma a pesquisadora.

“Evitar a polifarmácia é difícil, mas é preciso buscar uma prática adequada, para prevenir possíveis consequências negativas, como interações medicamentosas não desejáveis, reações e efeitos adversos à saúde, inclusive hospitalização e internação”, alerta Thaís. (UFMG)

Fotos: Carol Morena | Medicina UFMG