Open top menu
5G da China é ferramenta para repressão, diz Mike Pompeo em Lisbo

5G da China é ferramenta para repressão, diz Mike Pompeo em Lisbo

5G da China é ferramenta para repressão, diz Mike Pompeo em Lisboa

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, advertiu Portugal sobre o risco de ter a companhia chinesa Huawei operando a tecnologia 5G no país. Pompeo se reuniu nesta quinta-feira (5), em Lisboa, com o ministro dos Negócios Estrangeiros do país.

De acordo com Pompeo, “o Partido Comunista da China não vai hesitar em usar qualquer ferramenta que tenha nas mãos para reprimir seu próprio povo e outros ao redor do mundo”. O representante de Donald Trump também deixou claro que os Estados Unidos vão continuar trabalhando para barrar os planos dos chineses.

“Reconhecemos a soberania de todas as nações, mas tentamos nos últimos dois anos deixar claro aos nossos aliados os riscos envolvidos. Queremos garantir que a vantagem econômica chinesa não seja usada para reprimir as vozes democráticas de nenhum lugar, em Portugal, na Europa, ou nos Estados Unidos”, disse Pompeo.

Portugal recebeu a mensagem e teve uma resposta diplomática. O chanceler Augusto Santos Silva garantiu que os processos para a operação do 5G no país vão defender a segurança nacional, mas não mencionou impedimentos à participação da Huawei.

“A economia deve ser subordinada ao poder político, à ordem política democrática e aos nossos interesses de segurança nacional. E assim sucederá na área crítica das telecomunicações, designadamente na evolução para a quinta geração”, disse o ministro.

Santos Silva também destacou os significativos investimentos chineses já existentes em outros setores de Portugal, como eletricidade, energia, bancos e seguros, e reforçou que o país é “muito aberto ao investimento estrangeiro”. O ministro citou, além de China e Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Angola e Brasil, que “muito têm contribuído para o desenvolvimento da economia”.

Discordâncias vão da China a Israel

As relações com a China não são o único ponto de divergência nas políticas externas de Portugal e Estados Unidos. Questionados sobre a situação em Israel, com relação aos assentamentos israelenses na Cisjordânia e anexação do Vale do Jordão, na mesma região, Mike Pompeo respondeu que o tema não foi abordado durante a reunião por causa dos “posicionamentos diferentes” dos dois países. O ministro Santos Silva ainda acrescentou que os encontros entre Estados Unidos e Portugal são sempre produtivos porque “focam nos assuntos em comum, naquilo que podemos agregar”.

Mesmo não concordando com a posição norte-americana, que, depois de 40 anos, deixou de considerar os assentamentos israelenses ilegais, Portugal foi o cenário para o encontro de Mike Pompeu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na noite da quarta-feira (4), também em Lisboa.

A reunião gerou discórdia no Parlamento. O Partido Comunista Português (PCP) emitiu uma nota de repúdio. “Nada obriga o Governo português a dar cobertura a um encontro em Portugal cujo conteúdo é previsível e profundamente negativo, nem a receber Benjamin Netanyahu, tanto mais quando este não está na plenitude das suas funções e se encontra a contas com a Justiça”, lê-se no texto.

Já o líder do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, manteve-se neutro. “Não vejo que seja de criticar o fato de o governo português ter permitido esse encontro, e já que estão aqui reúnem-se com o primeiro-ministro português. Acho uma coisa relativamente normal, não acho que isso seja um caso”, declarou, questionado pelos jornalistas.

Depois de dois dias em Portugal, Mike Pompeo segue em direção ao Marrocos para reuniões com representantes do governo local sobre parcerias econômicas e na área da segurança dos dois países. Também está na pauta a futura cooperação dentro do Diálogo Estratégico EUA-Marrocos.(Sputnik Brasil)

© Sputnik / Caroline Ribeiro

<