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VOCÊ LEMBRA DO NIÓBIO? CONTINUA O MESMO…

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VOCÊ LEMBRA DO NIÓBIO? CONTINUA O MESMO…

Assunto superbatido, mas vale a pena dar um lembradinha.

Ainda outro dia eu falava, aqui, neste mesmo espaço, sobre a probabilidade de adquirência de diversos tipos de câncer pela exploração do urânio, em Itatira/Santa Quitéria, no interior do Ceará.

Até falava que, esta mina do Ceará, seria a maior jazida de urânio em território brasileiro, com mais de 142 mil toneladas de minerais associados a fosfatos. E é.

Um amigo meu questionava que a maior mina de urânio seria a de Araxá, MG. Na verdade, a maior mina de nióbio do planeta está em Araxá.

O nióbio é um metal raro – e raro deveria significar caro –, que contém quantidades consideráveis de urânio e tório, usado em todas as aplicações de tecnologias de ponta da moderna indústria mundial. Componente fundamental de aços de alta resistência, é usado também na fabricação de foguetes, de aviões, de automóveis, de dutos, na construção civil e na indústria naval. Extremamente importante também para a indústria de petróleo, na construção de plataformas e na produção de tubulações para óleo e gás.

O Brasil detém 98% das reservas mundiais, contra apenas 2% do Canadá, e capacidade de abastecer o mercado mundial por uns 400 anos ou mais, apenas com as minas atualmente em exploração: Catalão e Ouvidor, em Goiás, e a de Araxá, em Minas.

Metal raro? Caro? Nosso país exporta 81 mil toneladas desse metal por ano, vendendo o quilograma a R$16,00, subfaturados, se comparados aos preços praticados no mercado exterior. Fala-se em “contrabando de nióbio”, em “maior escândalo de subfaturamento fiscal do mundo”, num “esquema de corrupção” para “enriquecimento de poucos”, envolvendo nomes importantes da política nacional – como o governador Anastásia, e o ex-governador e atual senador Aécio Neves, potencial candidato à presidência da república – e do cenário comercial brasileiro – como a família Faria, do Banco Bandeirantes –, e “que contou com a cumplicidade até mesmo da Procuradoria Geral de Justiça, impedindo a ação do Ministério Público Estadual”.

A mina de Araxá produz 90% do nióbio do Brasil. E, com eles, diversos flagelos à saúde e ao bem-estar da população, variados males à saúde ambiental, devastação das plantações e do meio ambiente, advindos da abundante quantidade de poeira contendo suspensão de ferro, tório, chumbo, fosfato entre outros minerais; de chuva química portando bário, amônia, enxofre e imensa diversidade de poluentes; e, ainda, de toneladas de rejeitos químicos – liga de ferro-fósforo, altamente tóxica e radiativa, além de chumbo e tório – resultantes do beneficiamento do pirocloro para a obtenção do nióbio, que são depositados em barragens de resíduos, as quais apresentam altíssimo risco de contaminação e afetam trabalhadores e população.

E o que é mais terrível: “a mina não está legalmente sujeita a requisitos de proteção contra a radiação”.

Hoje, há, em Araxá – MG, há um número apavorante de pessoas com doenças respiratórias, degenerativas, demência, além de mais de 10.000 casos de câncer. Especula-se que, até 2030, mais de 40% da população será portadora da doença no município.

Outra coisa que me incomoda bastante é o fato de que, no Brasil, há sempre a necessidade de o capital nacional, os bens nacionais serem administrados por quem vem de fora. Aquela história do olhar sempre para fora, que já comentei também antes, aqui. Qual a necessidade que se tem de vender o Brasil para sociedades comerciais estrangeiras: americanas, inglesas, japonesas, chinesas, coreanas?

Daí vem a preocupação também antes aqui expressada sobre a futura administração de nossas águas: será que se reservam a ela – como a outros tantos bens, como o nióbio, o urânio, e antigamente o ouro, as pedras preciosas, semipreciosas, como as de Quiterianópolis – Ceará, já de muito exploradas na calada da noite (e do dia) por empresas chinesas e com a conivência da corrupta prefeitura local – fins negociais com algum conglomerado comercial/financeiro interessado?

 

* Lucas Carneiro, Poetinha, é escritor, poeta e cordelista. Pós-graduando em Linguística é professor de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola. Nascido em 1964, 15 dias após o golpe atribuído aos militares contra o povo brasileiro, viveu todo o período da ditadura. Inconformado com a situação atual do país registra seu descontentamento em seus poemas, crônicas, cordéis e artigos, como o ora publicado aqui.

 

1 comentário

  1. Avatar
    28 março, 2014

    Nunca vi tanta besteira em uma só matéria. Procurem se informar antes de publicar esse tipo de coisa. O cara não sabe sequer escrever direito! Tenha a santa paciência.

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