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SOB ANÁLISE – RICARDO BORGES. A MUDANÇA DOS TEMPOS

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SOB ANÁLISE – RICARDO BORGES. A MUDANÇA DOS TEMPOS

Tudo bem que hoje temos a internet, o iPhone, a TV por assinatura e mais um leque de opções que nos possibilita o entretenimento e facilita nossas vidas. Nossa economia é estável. Não existe o monstro da inflação que devorava nossos salários como no passado. A legislação evoluiu a passos largos no tocante ao combate à corrupção. O Brasil melhorou enfim.
Quem vivenciou as décadas de oitenta e noventa, entretanto, experimentou a simplicidade das brincadeiras de infância que nos permitia a socialização através do contato direto com outras crianças e a juventude mais contida se comparada aos exageros dos dias atuais.
Às vezes me pego pensando como era divertido empinar pipas aos arredores da casa dos meus pais, normalmente pelos pastos, juntamente com a molecada.
Como era prazeroso jogar bolinha de gude ou simplesmente biloca, pelas praças e ruas do bairro. Papão e triângulo eram nossos passatempos preferidos.
Nadar nos córregos límpidos que circundavam a cidade era motivo de alegria para nós crianças e de preocupação dos nossos pais. Quantas vezes levei aquela surra por chegar com os cabelos molhados e corridos pela face, com o short ainda molhado e pés sujos daquela lama preta que impregnava na pele até por semanas.
Carrinho de rolimã, que particularmente o denominava de patinete, era fabricado por nós mesmos, bastando apenas uma pequena tábua, dois toquinhos, três rolamentos com esferas, poucos pregos e muita criatividade. Esse brinquedo ficou eternizado pela adrenalina que representava ao descer as longas avenidas. Inúmeras foram as marcas deixadas nas calçadas dos vizinhos, em razão do atrito dos rolamentos com o concreto. Nem me lembro mais de quantos shorts minha mãe costurou na parte traseira, de tanto ficar sentado naquele artefato.
O contato com jogos eletrônicos somente nas casas de fliperama ou na residência de um amigo que tinha o vídeo game Atari, famoso pelo jogo pac man (come come).
Na escola, os colegas eram distinguidos pelos trajes e pelas bicicletas. A maioria dos meninos usava o lendário “kichute”, aquele calçado preto de lona e cordões longos, que de tão longos, enrolávamo-los pela canela. O meio de transporte utilizado era a mãozinha dada para alguém da família que nos levava, a pé, até à porta da escola. A minoria, filhos dos mais privilegiados financeiramente, desfilava com os cobiçados tênis all star, rainha e topper, e chegava com aquelas bicicletas que me enchiam os olhos: caloi cross ou bmx.

O RPM, banda de rock liderada pelo vocalista Paulo Ricardo, explodiu nas paradas de sucesso e só se ouvia nas rádios as músicas: olhar 43, louras geladas e revolução por minuto.
Na mocidade, entre o fim do primeiro e o início do segundo grau escolar, não me esqueço dos grupos de festas, ou melhor, dos bailes organizados pela turma. A cada final de semana a diversão ocorria na casa de um dos amigos.
O estilo de se vestir era característico. As calças baggs ou semi baggs, com camisa abotoada até o último botão, deixando apenas a metade do pescoço visível, acompanhada de uma pochete na cintura e de um tênis de cano alto com a “língua” dobrada sobre os cadarços. Era brega demais, mas fazer o quê? Isso era a moda dos meninos.
Durante os bailes, por incrível que pareça, tínhamos vergonha de chamar a moça para dançar uma “música lenta”. Se unissem os rostinhos no embalo da canção, era um bom sinal de que no final da noite poderia rolar uns beijinhos.
Quanta saudade!
Atualmente, as crianças não conhecem as brincadeiras simples de nossas épocas. Os hábitos dos jovens são muito diferentes daqueles que vivenciamos. Isso é bom ou ruim afinal?
Nenhum dos dois. Isso significa tão somente a mudança dos tempos. A tecnologia avançou, as pessoas evoluíram, a medicina progrediu, a moda é outra, as músicas são outras.
A televisão em preto e branco deu lugar primeiro ao plasma e agora ao LED. Nossa unidade de medida mais utilizada é o byte. O telefone é móvel, o veículo é flex, a fibra é óptica, a seleção é penta. Por outro lado, nossos amigos são cada vez menos reais e mais virtuais. Melhor dizendo, menos amigos e mais contatos de redes sociais. Mas tudo isso é o resultado da evolução.
Nas duas ou três décadas vindouras, meu filho que hoje tem onze anos, terá o mesmo sentimento nostálgico que me envolve quando relembro o meu passado.
O importante é cotejar o pretérito com o presente para aproveitar os acertos, corrigir os erros e melhorar o futuro.


Sobre o autor. Ricardo Borges é advogado especialista em gestão pública.

6 comentários

  1. Avatar
    23 setembro, 2013

    Disse tudo. Eu que ja tenho 40, pude desfrutar tudo isso. Me bateu uma saudade dos bailinhos que a gente fazia na casa dos amigos. Tempos que nunca mais hão de voltar. Belíssimo texto.

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  2. Avatar
    23 setembro, 2013

    Antigamente tinha chacrinha e flavio cavalcanti, agora temos que tolerar gugu, faustão, etc…

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  3. Avatar
    23 setembro, 2013

    Pois eh qta diferença. As meninas de hoje que atacam os homens, outro dia vi um video de uma “moça” aqui da cidade com um rapaz trancada no banheiro fazendo tudo e mais um pouco. Parem o mundo porque eu quero descer.

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  4. Avatar
    23 setembro, 2013

    POIS EH, ANTIGAMENTE A GENTE TINHA PHILL COLLINS, ELTON JHONN BEE GEES PARA EMBALAR NOSSAS FESTAS. HOJE TEMOS: NALDO, ANITA, LUAN SANTANA, 89 BANDAS DE PAGODE, 118 CANTORES DE ARROCHA, 1200 PORCARIAS DE TODOS OS TIPOS. QUE TRISTEZA, QUERO NASCER NOVAMENTE EM 1973.

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  5. Avatar
    24 setembro, 2013

    E as gincanas culturais, fuzacas, bairros contra bairros? eu era feliz e não sabia.

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  6. Avatar
    27 setembro, 2013

    Antigamente as crianças tinham infância , hoje são refém das tecnologias. Cabe aos pais inserir brincadeiras que estimulem o contato pessoal com outras crianças e com a natureza , deixando – as ate mais saudáveis.

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