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PRA FRENTE, povo BRASILeiro!

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PRA FRENTE, povo BRASILeiro!

No ano passado, durante a Copa das Confederações, em que a Seleção Brasileira menos que amadora de Futebol foi campeã, o povo brasileiro foi às ruas e mostrou sua indignação com os desmandos dos gerenciadores do nosso país, de seus bens, e de todas as falcatruas nele concorrentes.

Depois, “sem mais nem menos”, calou-se!

Parece contraditório que os gerentes cometam desmandos, mas é só correr o olhar, um olhar desinteressado e desapaixonado, de norte a sul do Brasil, para perceber as sandices, melhor, as canalhices dos nossos gestores.

Então, veio o campeonato, a taça no futebol, e o povo pareceu momentaneamente satisfeito, e, “sem ver nem pra quê”, calou-se!

No Ceará, o Calhordacid segue fazendo das suas: mergulhou num tanquinho de água que chamaram de adutora de águas de Itapioca, limpou o nariz e jogou a meleca na água, disse que o problema de falta d’água da cidade estava resolvido, mas o povo dali permanece sem água. Cercou a turística e famosa Praia de Iracema sem aviso prévio, para a construção (arbitrária) de um aquário (parece que a água da adutora era pouca, pra ele tirar a meleca do nariz!), tirou o direito de ir e vir do povo, só porque ele quis. Cortou um sem número de árvores nas margens da Rodovia Estruturante – e, conjuntamente ao seu novo Coringa, cupincha, pau-mandado e capacho prefeito de Fortaleza –, do Parque Ecológico do Cocó, e ainda meteram a guarda municipal munida de cacetetes e spray de pimenta em cima do povo lá acampado. Isso sem contar as desapropriações (arbitrárias) para a construção eterna e inacabável do VLT (que se eterniza, como o já há três gestões em reforma Terminal Rodoviário de Antônio Bezerra – Fortaleza, e vale lembrar que turista também anda lá!) bem como para a exploração do fosfato/mármore/urânio de Itataia, em Itatira/Santa Quitéria, no nosso Sertão do Inhamuns. Sua façanha mais recente, comprou sem licitação e não se sabe para que uso e/ou usufruto de quem um andar comercial inteiro na sua cidade berço político, Sobral, região norte do Estado. Explicação? Quem souber, terá de morrer!

E aqui, como em todo o território desse gigantesco país, o povo, “sem mas nem meio mas”, também assiste a tudo, e se cala. Assiste calado à depredação do seu patrimônio líquido e sólido, à dilapidação dos seus bens, ao descarado roubo/furto do dinheiro público, e se cala.

E quando eu digo que o povo se cala, não digo que não há ações. Muitos atos se presenciam, apesar de feitos por uma minoria, ínfima, “meia dúzia” de insatisfeitos frente a uma incontável multidão de lesados (no sentido jurídico da palavra).

Quando eu digo que o povo daqui, igual ao povo dali, e o de lá, se cala, é porque, misturadas à Copa do Mundo de Futebol, da Fifa,  virão as eleições para presidente da república, senadores, deputados federais e estaduais, governadores. E o povo brasileiro, porque é obrigado a votar, vai lá e… vota! Assim, sem reclamar, sem questionar. “Como cordeiro conduzido ao matadouro”, o eleitor vai lá, e vota! Simplesmente, vota!

Pior: vota e elege sempre a mesma cambada de irresponsáveis, incompetentes, canalhas, calhordas, ladrões, corruptos, arruaceiros, e até palhaço, e gente que não tem o nível mínimo de letramento e informação, gente que não sabe administrar sequer a própria vida, para administrar e legislar sobre a chamada “coisa pública”.

O povo brasileiro que tem coragem de pintar a cara e tirar a roupa, mascarar-se e depredar o patrimônio público e de outrem. E não tem coragem de dizer não a toda a sem-vergonhice que assola o país.

Ressalto aqui, que, quebrar o patrimônio, seja de quem ele for, não melhora em nada a situação do povo ou do país. Isso implicará reformas e, portanto, licitações, superfaturamentos e, por isso, mais gastos para os cofres públicos. Destruir o patrimônio privado tampouco resolve ou melhora a vida de quem quer que seja. Primeiro, porque estaremos praticando o desamor ao próximo, porque se o bem fosse meu, eu não gostaria de vê-lo destruído, então não devo fazer ao outro o que não almejo para mim – ensinamento cristão. Segundo, porque o particular poderá apresentar à justiça queixa contra o povo, justamente representado por seus governantes, e pedir ressarcimento de suas perdas. E isso representará, num eterno ciclo vicioso, mais gasto de dinheiro público.

O voto no Brasil é obrigatório. No entanto, o eleitor, o votante, não é obrigado a escolher um candidato. Então, que tal se este ano – 2014 – nós começarmos uma nova campanha? Que tal se fizermos movimentações semelhantes às que aconteceram no ano passado – sem destruição do patrimônio de quem quer que seja –, e neste ano de 2014, ano eleitoreiro, nós não formos às urnas? Ah, mas o voto é obrigatório… então, mesmo que sejamos obrigados a ir às urnas, que tal se votarmos nulo, ou branco, tanto faz, nenhum dos dois será computado mesmo! Que tal se todos nós, eleitores brasileiros, repetirmos tal façanha tantas vezes se repitam eleições no Brasil, até que as coisas tomem o rumo que sonhamos e queremos e necessitamos? Quem achar essa uma resposta adequada aos desmandos da política brasileira, compartilhe com seus amigos essa proposta, crie uma nova, trabalhe para que, nos anos que vêm, nenhum eleitor brasileiro vote… apregoe essa ideia, lute por ela, não vote, ou vote nulo, ou vote em branco. Convença um amigo seu a não votar, ou a votar nulo, ou a votar em branco a partir deste ano… sem considerar se tem copa do mundo ou não… se tem olimpíada ou não…

Votar nulo ou branco vai anular o pleito? Não, não vai. Conseguiremos que se convoquem novas eleições, com novos candidatos? Não, também não. Mas a nossa consciência estará tranquila. Certamente a do político, não!

Eia, pois, não nos calemos! Votemos nulo ou em branco este ano e nos anos vindouros, pelo bem dos nossos filhos e netos, pelo bem do futuro do povo brasileiro!

* Lucas Carneiro, Poetinha, é escritor, poeta e cordelista. Pós-graduando em Linguística é professor de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola. Nascido em 1964, 15 dias após o golpe atribuído aos militares contra o povo brasileiro, viveu todo o período da ditadura. Inconformado com a situação atual do país registra seu descontentamento em seus poemas, crônicas, cordéis e artigos, como o ora publicado aqui.

 

1 comentário

  1. Avatar
    07 janeiro, 2014

    A fonte utilizada no título pelo pessoal do website, infelizmente, descaracterizou o recurso visual utilizado pelo autor, que era juntar a frase PRA FRENTE BRASIL, da década de 1970, por ocasião da Copa do Mundo de Futebol daquele ano, com o povo brasileiro: PRA FRENTE, povo BRASILeiro!, dando esse efeito. Que pena!

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