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Mineração: A riqueza e suas consequências catastróficas para a saúde e o meio ambiente

Mineração: A riqueza e suas consequências catastróficas para a saúde e o meio ambiente

Ultimamente o nióbio assumiu merecido e importante papel na internet. Internautas bem pouco tempo desavisados passaram a tomar conhecimento deste mineral de nome estranho, chegando alguns a conhecer a sua importância e virtudes estratégicas.

Solo, água e ar contaminados resultam dos poluentes liberados da atuação mineradora da CBMM. Não é necessário ser médico ou especializado na área de saúde ambiental para chegar à conclusão de que dezenas de milhares de toneladas por ano de poeira abundante em suspensão de ferro, tório, chumbo, fosfato e demais minerais é deletéria a saúde. Agredida por tais minerais estranhos a normalidade do funcionamento do organismo humano e ambiental, a população apresenta aumento de doenças respiratórias juntamente com doenças degenerativas, demência assim como câncer.

Juntamente com os problemas de saúde que afligem os residentes de Araxá, merece ser registrado que indústrias mineradoras, entre as quais a fábrica de ácido sulfúrico da Bunge Fertilizantes distante apenas 4 km do centro da cidade e 1 km do parque ecológico do Barreiro onde está situado o Grande Hotel Tauá, produzem chuva química causando devastação nas plantações e do meio ambiente, flagelando a saúde e o bem-estar da população. Como pode ser concluída, chuva química profusa em bário, amônia, enxofre e diversidade de poluentes, causam vários males a saúde ambiental e humana de uma maneira geral, em uma localidade precária em assistência a saúde.

Desde 1965 – por ocasião da fundação da DEMA (Distribuidora e Exportadora de Minérios e Adubos) que mais tarde passou a ser CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) – a mineração e industrialização do nióbio e fosfato incrementaram o turismo e o desenvolvimento econômico e social no município de Araxá. Porém, em virtude do extrativismo causar problemas ambientais, as relações das companhias com a população primaram em diversas oportunidades pelo caminho do conflito.

Relatório emitido pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) recomendou a não utilização de aterros provindos das áreas de atuação da CBMM por estarem contaminados com rejeitos químicos – liga de ferro-fósforo, escória altamente tóxica metalúrgica e radiativa, além de chumbo e tório – resultantes do beneficiamento do pirocloro para obtenção do nióbio. Há relatos que em Araxá casas e obras públicas, Bucaranã (Praça de Esportes) foram construídas em aterros oriundos da CBMM.

Em relações comerciais, as negociações envolvendo venda de produtos visam transações que resultam em lucros financeiros que permitem aplicação em volumes maiores dos produtos em futuras negociações. É natural o impacto negativo resultante da tomada do conhecimento que a comercialização do nióbio não atende esta regra comercial.

Antônio Ribas Paiva, presidente do “Grupo das Bandeiras”, no “Fórum do Clube do Hardware”, no artigo “O Nióbio é Nosso!”, faz a seguinte observação: “A maioria dos brasileiros não sabe o que é o Nióbio, e muito menos que o Brasil é o único produtor mundial deste importante mineral. O Brasil poderia pagar sua dívida externa só com nióbio, que é um dos muitos minerais contrabandeados daqui. Acho extremamente importante que este assunto seja colocado em evidência, pois é o futuro do nosso país que está em jogo”.

Caso o comentário precedente sobre a questão comercial exterior do nióbio do qual o Brasil é exportador absoluto não seja suficiente, vejamos o que diz o jornalista Jorge Serrão no artigo “Roubo do Nióbio” no jornal “Alerta Total”: “A classe média de assalariados brasileiros nem precisaria pagar R$ 35 bilhões por ano de Imposto de Renda, se o Brasil não fosse vítima do maior escândalo de subfaturamento fiscal do mundo. O País deixa de arrecadar R$ 210 bilhões de reais por ano por causa da manobra que sonega impostos da exportação de nióbio – um metal raro, usado em todas as aplicações de tecnologia de ponta da indústria moderna, e do qual o Brasil detém 98% das reservas mundiais. O Brasil exporta 81 mil toneladas do metal por ano. O quilograma do metal sai daqui vendido por R$ 16, o que rende R$ 1 bilhão e 296 bilhões – sobre os quais recaem tributos. Acontece que o nióbio é negociado na Bolsa de Londres por até U$ 1.200 dólares por quilograma. Se o Brasil não fosse lesado na operação, e empregasse a soberania do País no negócio, a operação com o nióbio renderia (como rende aos ingleses) US$ 97 a 100 bilhões de dólares – sobre os quais recairiam os impostos”.

VEJA NO LINK: http://revistadeciframe.com/2010/03/01/niobio-a-riqueza-que-o-brasil-despreza/

(*) Médico – Diretor Executivo do Sistema Raiz da Vida  www.raizdavida.com.br
Autor: Dr. Edvaldo Tavares

 

FEAM comprova contaminação de água em Araxá 

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Foto: Vista aérrea do município de Araxá

Apesar de termos publicado em primeira mão o resultado do estudo realizado pela física nuclear Kenya Dias, ex funcionária da comissão nacional de energia nuclear que comprova os altos índices de contaminação das águas de Araxá, a CBMM afirmou em nota que “A CBMM em seus mais de 50 anos de atuação sempre pautou sua conduta pelo respeito ao meio ambiente e à comunidade de Araxá e à total transparência em relação aos seus procedimentos e ações. A CBMM está confiante de que os fatos serão esclarecidos e que a verdade prevalecerá.”

Com uma tentativa que foi mais uma vez frustrada, já que essas áreas contaminadas tanto pela CBMM quanto pela BUNGE (hoje VALE) vem sendo acompanhadas pela FEAM. Percebe-se pelos documentos abaixo a ausência da fase livre de contaminação, ou seja, a INTERVENÇÃO/REMEDIAÇÃO continua ao longo dos anos improdutiva e sem sucesso.

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“NÃO TEMOS COMO REVERTER A SITUAÇÃO, MAS TEMOS QUE CUIDAR DO FUTURO E DAS NOSSAS CRIANÇAS”

KeniaEsta afirmação foi dita pela responsável pelo estudo em e-mail enviado por ela ao assessor de comunicação Paulo Rezende, que trabalha com a assistente do Ministério Público, Márlia Silva, nas ações movidas contra a mineradora.

Confira as declarações reveladoras no e-mail abaixo.

 

e-mail

Concluiu a física.

 

Locais contaminados          

ARAXÁ: SAIBA ONDE FICAM OS PONTOS DE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS NO MUNICÍPIO

 

Em entrevista, Paulo Rezende assessor de imprensa da Procuradora dos moradores e ex moradores do Barreiro e adjacências e Assistente do Ministério Público na ação civil publica, Márlia Silva, fez um balanço da situação que vem preocupando a população.

Segundo ele, o problema é antigo e conforme os estudos já apresentados e inclusive divulgados por nós, merece ser tratado com seriedade levando-se em conta a gravidade dos fatos.

“É sabido por todos que Araxá é conhecida no cenário nacional e internacional pela estância hidromineral do Barreiro, recebendo inúmeros turistas em virtude das propriedades terapêuticas de suas águas. Até aqui concordamos que, num passado bastante remoto, isso sim seria motivo de orgulho para esta cidade e de benefícios reais para os turistas.

Ocorre que, próximo ao Complexo do Barreiro, ou melhor, do que ainda restou do mesmo, estão instaladas a CBMM – Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração e hoje, a Vale Fertilizantes (anteriormente Bunge, Arafértil).

Deste modo, o grande potencial turístico e mineral desta cidade, gera consequentemente, conflitos ambientais.

Situando melhor a respeito desses conflitos, o Complexo do Barreiro, no chamado Alto Paulista e adjacências era ocupado por cerca de 200 famílias. A grande maioria dessas famílias deixou o local em face da contaminação de suas águas. A partir do momento que foi ajuizada uma ação civil pública para apurar a contaminação dos poços que abasteciam as casas, foi ordenado, pelo Poder Judiciário local o bloqueio de verbas nas contas da Prefeitura Municipal para que a mesma fornecesse água mineral para estes moradores que há anos ingeriam e utilizavam água imprópria para consumo humano. O que ocorre até hoje para as famílias que ainda lá residem. Outras negociaram com a CODEMIG sua mudança do complexo em face da citada contaminação.

Em breve relato, o Projeto Hidrogeoambiental da Estância Hidromineral do Barreiro de Araxá, ano de 2001, (relatório elaborado e apresentado pela COMIG – Companhia Mineradora de Minas Gerais), informa que no ano de 1960 a CAMIG – Companhia Agrícola de Minas Gerais, começa a produzir fosfato moída e inicia a explotação da mina de nióbio, pela CBMM, em local adjacente às fontes da Estância Hidromineral do Barreiro.

Em 1978, foi detectada contaminação na produção de fosfato pela ARAFERTIL S.A, hoje, Vale Fertilizantes. Anos mais tarde, em 1982, fica “constatada a contaminação das águas subterrâneas por bário, proveniente das águas que se infiltram depois de percolar rejeitos contendo cloreto de bário da Barragem B4, pertencente a CBMM. Simultaneamente, ocorria um outro alerta sobre os possíveis efeitos do rebaixamento da mina de fosfato sobre a fonte Beja (fonte esta tão visitada e apreciada pelos turistas), no que diz respeito a sua vazão”. Diante deste fato, o geólogo João Alberto Pratini de Moraes foi contratado para realizar estudos e propor medidas para controlar os impactos negativos sobre as águas minerais da Estância do Barreiro.

Diferente do que disse o Sr. Antônio Gilberto, Diretor na empresa CBMM, nos autos processuais das mais de quinhentas ações que tramitam nessa Comarca em face da mesma, através de documentos, não nega a existência da contaminação. Ao contrário, admitem-na informando inclusive encontrar-se tal contaminação, em fase de REMEDIAÇÃO. O que pode ser constatado no Parecer Único – Protocolo nº 615703/2007, dirigido a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em que justifica a mudança no seu modo de operar, pelo seguinte: “… Com a mudança do processo, o efluente rico em cloretos (em média 50m3/h), que não favorecia a remediação da contaminação do bário, deixou de ser gerado. (….) As atividades de remediação da contaminação de bário solúvel a jusante da Barragem B-4 são desenvolvidas de acordo com definições acordadas em convênio com o Governo Estadual, assinado em 10 de julho de 1984. (…)Desde a década de 80 são encaminhados semestralmente a FEAM relatórios de acompanhamento das atividades de remediação. As atividades serão desenvolvidas até que as concentrações de bário solúvel estejam compatíveis com o background da região”.

Com a preocupação latente acerca da extensão desta contaminação, aprofundaram-se os estudos para além do complexo do Barreiro. Foram realizadas novas análises das águas da região do Barreiro e na ocasião também do entorno da cidade de Araxá, incluindo os mananciais de abastecimento da cidade. Estudo esse que veio confirmar a contaminação das águas do Barreiro, bem como da cidade de Araxá não apenas com Bário, mas também com outros metais, em doses elevadas para o consumo humano. Entre eles: Cromo, Chumbo, Vanádio, etc. Além de Urânio, detectado em níveis altíssimos em algumas amostras. Tal estudo foi publicado no Congresso Internacional Nuclear do Atlântico – INAC em outubro de 2011, que ocorreu na cidade de Belo Horizonte, pela cientista nuclear Kenya Dias Moore. Os pontos de coleta de material (água) para análise foram: Córrego Feio ( manancial de abastecimento da cidade), Córrego Fundo (manancial de abastecimento da cidade), Córrego da Areia (manancial de abastecimento da cidade), Córrego do Sal, Fonte Dona Beija, Fonte Andrade Júnior, residência de uma moradora do Barreiro na antiga Rua Da Substação (abastecida por poço CODEMIG), residência de um morador do Barreiro na Rua Alto Paulista (abastecida pelo poço BUNGE), Rio Capivara, Rio Tamanduá, Lago do Grande Hotel do Barreiro, Rio Pirapitinga em dois pontos, riacho junto ao Grande Hotel do Barreiro, Barragem que fica na antiga Rua da Substação, dois lagos do Grande Hotel, amostra de um hotel no centro da cidade.

Atualmente realizam-se outros estudos com intuito de solucionar referida contaminação”, informou Paulo Rezende.

Seguem abaixo, o gráfico com os metais contaminantes encontrados nas amostras, e seus respectivos índices e a tabela dos locais de coleta e concentração em massa de Urânio por ponto.

Obs: Onde se lê Rio Capivari leia-se Capivara.

Níveis de concentração de metais em amostras de água coletadas em Araxá.

Fig.1: Níveis de concentração de metais em amostras de água coletadas em Araxá.

LOCAIS DE COLETA

Tabela dos locais de coleta e concentração em massa de Urânio por ponto.

Fig. 2: Tabela dos locais de coleta e concentração em massa de Urânio por ponto.

 

 

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