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IMPOLUTO E IMACULADO

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IMPOLUTO E IMACULADO

Lucas Carneiro Poetinha*

Em 2014, teremos eleições em todo o país. Autoridades e lideranças populares vêm, já de algum tempo, tentando nos enfiar goela abaixo o senhor Joaquim Barbosa, “o impoluto”. As sujeiras já começaram a aparecer, mas, do mesmo modo que na época do PT como novidade administradora, as autoridades interessadas, bem como as lideranças populares, empurram-nas para debaixo do tapete, ou maquiam-nas em pichações, já não mais apenas nos muros das cidades, mas também em seus murais das redes sociais, agora chamados de linhas do tempo. Seu potencial parceiro político, Aécio Neves, “o imaculado”. (Que nunca esteve nas áreas de seca, mas sabe perfeitamente do que o Nordeste precisa, para acabar com a estiagem. Aliás, todos os políticos nordestinos sabem, mas não fazem. As motivações, todos também sabemos.). A imprensa dá conta de que autoritarismo, arbitrariedades, ilegalidades são a especialidade do “impoluto”. Imparcialidade? Imparcialidade, não. Divulgam-se tabelas, textos, notícias, informações as mais variadas sobre os mais diversos escândalos, golpes, tramoias, roubos, apropriações indébitas, desvios, corrupção de outras épocas não tão distantes, e nada se diz ou faz a respeito “na sala da Justiça”. Prescreveram os crimes? Passou do tempo? Os homens que se apossaram do que supostamente era do povo não estão mais neste plano? Ou estariam esses homens – porque “homens é o que são” – acima da lei? Não estariam apenas à margem dela? Segundo publicações recentes, amplamente divulgadas, o menor dos valores desviados foi o único processado e julgado, e cujos implicados foram condenados. E cadê a imparcialidade da Justiça brasileira? Por que não se busca processar e julgar, e também condenar implicados dos outros casos de corrupção e desvios milionários da verba “chamada” pública? Seria “o impoluto” mais uma marionete nas mãos das autoridades e lideranças interesseiras? Ou estaria ele mesmo se utilizando do poder que detém para alcançar mais poder ainda? Tudo que sei é que finalmente se pôde vislumbrar um sorriso no rosto do “impoluto”, quando do seu encontro – com direito a um demorado aperto de mão para as câmaras registrarem – com o pessoal do partido do “imaculado”.

Lucas Carneiro, Poetinha, é escritor, poeta e cordelista. Pós-graduando em Linguística, e professor de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola. Nascido em 1964, 15 dias após o golpe dos militares contra o povo brasileiro, viveu todo o período da ditadura. Inconformado, registra seu descontentamento em seus poemas, crônicas, cordéis e artigos, como o ora publicado aqui.


E O POVO VAI LEVANDO

Lucas Carneiro Poetinha*

Decerto que está pensando
o governo que é martelo
pra ir o povo enfiando
cada vez mais na madeira,
esquecendo que o poder
por ele foi-lhe outorgado.
Os políticos talvez queiram
qual oleiros, qual padeiros,
moldar a massa imprimindo-lhe
forma, forma a dar com pau.
Muito mais fácil o vaqueiro
conduz ao boi mascarado.
Mas este povo oprimido
tem memória. Não é prego.
Mas não é de barro, a massa.
O que ela quer mesmo é pão.
Estão-se achando os políticos,
por certo, fumo de rolo,
dando ao povo do seu ópio,
futebol, fé, carnaval.
Comida falte, mas sobre
produção, logro e cachaça.
O governo quiçá pense
que é artista bonequeiro
criando marionetes,
bonecos manipulando
no teatrinho eletrônico
dos dias pré-eleições.
Mas o povo não é cachimbo.
Quer mesmo é puros cubanos.
Mas o povo não é boneco.
E um dia a máscara cai.
O governo está-se achando
tanque, rolo compressor:
por um salário abstrato
ao povo a fome concreta;
pelos seus objetivos
Urutu, trator de esteira.
Mas o povo está no caminho.
E vai ficando na estrada.

* Lucas Carneiro, Poetinha, é escritor, poeta e cordelista. Pós-graduando em Linguística, e professor de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola. Tem publicados um livro – O VERSO TRIVIAL – e nove títulos de cordéis, além de suas páginas na internet: lucascarneiropoesia.xpg.com.br e Lucas Carneiro Poemas Velhos e Novos, esta última no Facebook.

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