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Depressão pode ser a causa das mortes de atrizes do mundo pornográfico

Depressão pode ser a causa das mortes de atrizes do mundo pornográfico

Nos últimos dois meses, foram encontradas mortas quatro atrizes pornô supostamente após se suicidar. Líderes do setor se abstêm de comentários enquanto funcionários se queixam de crise profunda e uma epidemia de depressão. O portal Lenta.ru decidiu esclarecer o que faz com que mulheres empregadas na área recorram a medidas radicais.

A situação na indústria pornográfica atraiu atenção da sociedade depois da morte da atriz pornô canadense Shyla Stylez (nome real — Amanda Friedland). Em 9 de novembro de 2017, seu corpo foi encontrado na casa de sua mãe.

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A causa de sua morte não foi revelada, mas se sabe que seus colegas tentaram ajudá-la a combater uma doença coletando dinheiro para “pagar suas despesas médicas e funerais apropriados”.

Umas semanas depois, teria se suicidado outra atriz canadense, August Ames (nome real — Mercedes Grabowski). Análise mostrou que em seu sangue não havia nem álcool nem drogas, mas perto do corpo estava uma mensagem de despedida pedindo desculpas a seus pais.

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Alguns dias antes de sua morte, a mulher foi criticada duramente nas redes por ter se recusado a filmar com um ator gay — suas fãs acharam a decisão um sinal de homofobia. Anteriormente, Ames tinha escrito nas redes que sofria de depressão e transtorno bipolar. A atriz estaria até buscando por um psiquiatra, mas não conseguiu, pois todos os especialistas achavam que seus problemas eram originados pelo trabalho escolhido.

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O seguinte elo na série de mortes ser tornou a atriz americana Yurizan Beltran, conhecida como Yuri Luv. A mulher foi encontrada morta em 13 de dezembro, perto de sua cama estava uma caixa vazia de comprimidos. Ela tinha 31 anos.

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Antes da morte, Beltran fez postagens intrigantes nas redes, afirmando precisar de abraços. Segundo seus amigos, ela costumava visitar baladas onde usavam drogas, mas nada indicava que ela se suicidaria.

A última atriz que decidiu pôr fim à sua vida foi a americana Olivia Nova, de 20 anos, a mais jovem de todas.

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Como no caso de Shyla Stylez, a causa da morte dela permanece desconhecida e tem um aspecto em comum aos outros casos — a jovem se queixava de solidão e tristeza. Nova tinha trabalhado como modelo desde 12 anos. Em abril de 2017, seu namorado se suicidou um mês depois dela ter se tornado atriz pornô.

Apesar de uma série de mortes, grandes companhias do setor pornográfico se limitaram a condolências sem comentar a situação. Porém, várias atrizes da indústria relataram problemas na indústria.
Colegas das mulheres falecidas afirmaram que atrizes do ramo pornográfico são muitas vezes mal tratadas e não contam com apoio de familiares.

“Ser atriz pornô é muito mais difícil do que muitos imaginam e eu queria que as pessoas respeitassem mais as meninas e seu trabalho duro”, disse uma amiga de Yurizan Beltran, citada pelo Lenta.ru.

Quem comentou a tragédia em detalhes foi a celebridade pornô Odette Delacroix. Segundo ela, atrizes deste gênero são alvos de ofensas pesadas na Internet, sem falar na concorrência dura para conseguir um papel.

Igual a suas colegas, Delacroix confessou ter enfrentando depressão por 15 anos sem poder encontrar tratamento adequado.

 

A crise na indústria, acredita, deve-se à atitude consumista em relação a atrizes. Uma das questões mais doentias é a idade das mulheres — atrizes devem parecer mais jovens por causa da grande procura por meninas menores de idade.

“Atualmente, garotas são obrigadas a filmar com homens já na terceira semana de trabalho e em três meses elas podem ser jogadas para fora da indústria”, declarou Delacroix, comentando endurecimento das condições de trabalho no setor.

Outra razão da morte das atrizes são as redes sociais: “Foram elas que ajudaram a ganhar fama, mas foram elas também que mataram”, disse, explicando a razão da depressão em massa.

O problema é que mesmo que atores e atrizes queiram lidar com doença e encontrar um especialista, a terapia é prejudicada por preconceitos comuns quanto ao pornô partilhados inclusive por médicos, diz o artigo do Lenta.ru.

 

Ainda por cima, muitos empregados no setor não têm dinheiro suficiente para obter tratamento, gastando este no combate a doenças sexualmente transmissíveis.

Na opinião de Tasha Reign, ativista pelos direitos de atores da indústria pornográfica, para evitar suicídios “é preciso que mudemos de atitude em relação à sexualidade, bem como em relação a trabalhadores sexuais e pornô para que atores do setor não se sintam excluídos”.

No entanto, resume o artigo, dadas as críticas das mulheres nas redes, tal opinião é partilhada por poucos.

Edição: Sputnik Brasil

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